POPzou: Drag Sophia Barclay sofreu abuso, morou na rua e é influencer: "Mães ouvem". | BreakTudo
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POPzou: Drag Sophia Barclay sofreu abuso, morou na rua e é influencer: “Mães ouvem”.


Nascida em Guarulhos, São Paulo, ela diz que sempre soube ser homossexual. Mas apanhou do pai por isso e, achando que era “anormal”, frequentou a igreja evangélica e namorou meninas na esperança de ser “curada”.

Afirma ainda que foi abusada sexualmente por um amigo da família, mas, quando contou para a mãe, foi acusada de tentar destruir a vida do agressor. No início de abril, um vídeo em que conta sua história teve mais de 1,8 milhão de visualizações no Facebook.

Expulsa de casa aos 15, quando decidiu não mais esconder a homossexualidade, Sophia tentou abreviar a vida, recebeu ajuda de amigos e descobriu o mundo drag. A partir daí, planejou viver de shows. Hoje morando no Rio de Janeiro, cidade da mãe, criou lives para a quarentena, em que conta sua experiência, dá conselhos e entretém. Ela relata a Universa sua história:

“Minha infância sempre foi complicada. Assistia meu pai agredindo minha mãe. Tenho seis irmãos, um deles é uma mulher trans.

 

Quando completei 7 anos, um amigo dos meus pais passou a morar na casa onde vivíamos, em Guarulhos (SP). Ele abusou de mim e ameaçava minha família caso eu contasse. Desenvolvi medo de sair de casa.

Aos 8, não aguentei e resolvi contar para a minha mãe, de quem eu era mais próxima. Mas ela me bateu e falou que eu estava querendo destruir a vida do agressor. E abafou o caso. Tive medo de falar com meu pai. Na verdade, eu tinha medo dele.

Os abusos continuaram por três anos, até o homem ir embora.

Meus pais se separaram na mesma época. Meu pai virou evangélico, casou-se novamente e resolvi frequentar a igreja. Coloquei na minha cabeça que não era amado por Deus por ser gay. Arrumei uma namorada, me batizei. Mas meu jeito era afeminado para os padrões da família e minha madrasta me atacava muito, usando palavras pejorativas ao se dirigir a mim.
Se eu tivesse um filho gay, mataria’

Uma vez, meu pai falou: ‘Se tivesse um filho gay, eu mataria’. Já estava no meu limite. E respondi: ‘Então o senhor vai ter que me matar, porque eu sou gay’. Tinha 15 anos.
Ele me pegou pelo pescoço e me agrediu. Saí de casa naquele dia e vaguei por uma semana pelas ruas, dormindo em pontos de ônibus. Ninguém da família dele quis me ajudar, e a família da minha mãe mora na zona oeste do Rio de Janeiro. Também parei de ir à escola. Estava no segundo ano do ensino médio. Agora, antes da quarentena, me matriculei numa escola e estou esperando tudo reabrir.

Tentei me matar — e me machuquei por causa disso. Até que uma amiga da escola me viu e ofereceu abrigo. Depois, uma tia de consideração me ajudou também. Arrumei emprego numa clínica de estética e, quando consegui juntar o dinheiro da passagem, fui para o Rio tentar morar com minha mãe. Ela dizia aceitar minha homossexualidade, mas queria que eu fosse homem dentro da casa dela.
Foi numa Parada LGBT no Rio que conheci o mundo drag. Falaram que eu lembrava Pabllo Vittar e me vestiram como ele. Gostei tanto que comecei a me montar sempre, e quando isso acontecia, eu esquecia de tudo que passei. Por isso falo que a arte drag me ajudou a sair da depressão.

Uma vez, ouvi minha mãe falar que queria dar o nome Sophia a uma filha. E [Margaret] Barclay foi uma mulher queimada por ser bruxa. Nós, gays, também somos perseguidos pelo que somos, então resolvi juntar esses dois nomes — e assim nasceu a Sophia Barclay.

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