Luca Moreira

Luca Moreira entrevista Natalie Smith e fala sobre adolescência da atriz

Com mais de 7 milhões de visualizações em sua primeira temporada, a websérie “A Melhor Amiga da Noiva” produzida pela PontoAção Produções, já tem data marcada para a estreia de sua 2ª temporada.

Com o roteiro totalmente autoral, a ansiedade para a estreia é ainda maior, e é disso que a nossa entrevista com a atriz Natalie Smith fala. A interpreta da personagem Juliana, que faz par romântico de Priscilla Pugliese, viverá muitas novidades nessa nova etapa da história, ela virá ainda mais madura e muito mais mulher.

Para a construção dessa personagem, Natalie conta que se inspirou na cantora Camila Cabello para trazer uma “Juliana” com uma personalidade forte e decidida. Porém ao mesmo tempo irá viver momentos difíceis que mostrarão o lado frágil que ela também possui.

A nova temporada chega ao YouTube no dia 29 de março.

Quando foi que a carreira de atriz começou a despertar sua atenção?

Na verdade não me lembro de nada antes de querer ser atriz, porque desde que eu tinha uns 4 ou 5 anos e assistia teatro aqui no Rio ou no Rio Grande do sul, algumas peças que meus tios estavam em cartaz, e eu já queria ser atriz. Já queria estar principalmente no palco. Com isso, foi despertando meu interesse em TV e cinema. Com uns 8 anos eu já escrevia e produzia peças na minha própria escola. Comecei no teatro profissional com 13 anos, já adaptando e escrevendo. Ah, e sempre me dava os melhores papéis porque eu não sou boba nem nada, né? Hahaha. Então quando eu escrevia já garantia uma papel bom.

Como foi a vinda para o Rio de Janeiro com apenas 19 anos?

Dia 20 de março fez 8 anos que eu saí de casa. No dia 27 eu cheguei no Rio de Janeiro após uma semana em SP. No começo foi muito complicado, porém eu sempre fui muito convicta de que eu não voltaria. Quando eu coloco uma coisa na minha cabeça, eu não tiro. Eu sou muito determinada comigo mesmo, então eu tinha a ideia fixa de que eu não voltaria para o Rio Grande do Sul, eu não voltaria para morar com meus pais, mesmo sempre trabalhando com meu pai, e ainda trabalho, mas não voltaria para aquela rotina. Meu primeiro ano no Rio foi muito difícil financeiramente e em questão de adaptação, por ter saído de uma cidade pequena. Eu encontrei um companheiro na época, o André, na 3ª semana que eu estava no rio. Namoramos por 4 anos e ele foi fundamental para esse início da minha vida aqui, tanto para me apresentar para outras pessoas, quanto para amigos. Logo depois eu comecei alguns cursos, onde fiz amizades que eu possuo até hoje. Atualmente eu trabalho com amigos meus que são da época desses cursos que fiz há 7 anos atrás. Sempre me falaram e eu acreditei, “são nos cursos que você mostra o quanto você é responsável, o quanto você gosta de trabalhar e são com esses seus colegas de cursos que você ainda vai trabalhar”. Eu ainda vejo hoje muito casting de atores para webséries, ou sempre que vou fazer algum trabalho, eu levo atores que sempre foram pontuais, responsáveis, com textos decorados, tranquilos de conviver, que são características básicas para quem está nesse meio. Seja sempre aquela pessoa que você almeja em trabalhar.

Tendo sofrido muito com anorexia durante a adolescência, como foi sua superação nesse caso?

A adolescência é uma fase difícil na vida de qualquer pessoa, então a minha não foi diferente. Eu tive a síndrome de Peter Pan, inicialmente e uma das formas que eu encontrei de não crescer era parando de comer. Eu não queria desenvolver seios, bunda, pelos, nada. Eu tinha pânico dessa questão de virar adulta. Um dos meus maiores fatores para a anorexia foram muito mais psicológicos do que físicos e estéticos. E esse fator eu descobri depois de muitos anos. Eu tive anorexia dos 13 aos 18 anos, fazendo 5 anos tratamento. Durante esse tempo eu também tive bulimia e hoje eu me sinto completamente recuperada. Me sinto muito bem e falo abertamente sobre esse assunto. Hoje eu entendo que uma das questões também foi o padrão de beleza que vemos na TV, no cinema, nas modelos, onde

definem a uma pessoa “magra” como o ideal. Isso influenciou bastante, porém não foi o “start” de tudo isso. Eu via muito as minhas amigas começando a engordar, tudo me deixava um pouco traumatizada. Eu sempre pensava “Meu Deus, se eu continuar comendo do jeito que estou comendo eu vou engordar”, e era uma besteira por estar em fase de crescimento mas que acabou virando algo bastante sério, durante 5 anos. Mas o start de fato foi a síndrome de Peter Pan, de não querer crescer. Foram todos esses anos fazendo tratamento com psiquiatra, clínico geral, nutricionista, exames semanalmente. Foi uma fase extremamente difícil, mas que hoje, graças a Deus, foi completamente superada.

Sabemos que começou a ter fãs logo cedo ao se tornar cover da cantora Anahi. O que a fez adotar o nome “Nathi Wera” como nome artístico antigamente? E como lidou com o momento?

A minha fase de Anahi começou um pouco mais tarde, foi com uns 16, 17 anos que a galera começou a me conhecer no orkut. Eu postei uma foto com um óculos e com um cabelo bem parecido com o da Anahi, isso despertou a atenção de alguns fãs que mandaram em grupos na época de RBD. O nome “Nathi Wera” tem total relação com a Anahi. O “hi” do “Nathi”, eu coloquei por causa de “Hi” do “AnaHI”, e o “Wera” era uma expressão que costumavam direcionar à Anahi com o significado de “loira”, e acabou chamando a atenção. Aos poucos foram surgindo alguns fãs, que eu tinha receio de chamar de “meus fãs” porque seriam de uma personagem que eu criei, mas não deixava de ser uma personagem que eu criei como artista, então era muito interessante mesmo eu sendo um pouco imatura ainda para lidar com tudo isso. Dentro do meio em que eu vivia, como morando no interior do Rio Grande do Sul, eu lidei até bem. Nunca tive problemas e sempre fui bastante respeita. Além disso sempre me coloquei no meu lugar de cover, eu não “a” artista, era apenas uma pessoa que se parecia com ela na época.

Como foi protagonizar a web série “Entre duas Linhas” em 2015?

“Entre duas linhas” também surgiu por conta do RBD. Poucas pessoas sabem mas eu era de um grupo de fãs do RBD. Lá conversávamos muito e uma vez uma das integrantes, a Letícia, perguntou se teria algum ator do Rio de Janeiro e eu me identifiquei na hora “Eu sou atriz gente, pelo amor de Deus, onde eu mando meu currículo?” (risos). A Tamires Coutinho, o Rodrigo e a Priscilla, que produziam a websérie naquele ano, já me conheciam da época da Anahí, e eu a Pri e a Tamires já havíamos feito o mesmo curso antes. Eu acabei indo fazer o teste, mas bem tranquila porque eles já conheciam o meu trabalho. E foi incrível porque foi algo que eu sabia que daria certo. Eu já tinha pesquisado e tido certeza disso, fora que todo trabalho que eu faço eu faço com muita vontade para que tudo dê realmente certo. Então “Entre Duas linhas” pra mim foi muito especial, foi onde conheci a galera do Ponto Ação e que hoje ainda seguimos com a parceria.

Como andam a expectativa para 2ª temporada de “A Melhor Amiga da Noiva”? É o recebimento do público?

A minha maior expectativa com essa segunda temporada é em relação ao roteiro. Em termos de atuação, a gente se entregou o máximo. Como escrevi o roteiro junto com a Priscilla, escrevemos já pensando em tudo. Ator quando escreve já pensa em como ele quer representar tudo aquilo para o público, então pra mim é uma experiência incrível poder escrever e protagonizar um trabalho escrito por nós mesmo. E por esse fator a expectativa dessa temporada supera a expectativa da anterior. Estamos com uma química cada vez maior, quanto mais trabalhamos mais química a gente cria, mais envolvidas a gente fica, mais amigas nos tornamos. Viemos também com uma produção incrível, muito maior, e com tudo isso junto, conseguimos dar um salto que poucas vezes eu vi no Youtube. Alcançamos um material com tanta qualidade, em questão de audio, fotografia, direção, edição. Estaremos vindo com algo muito impecável e eu espero que a galera curta muito, porque foi lindo fazer. Todo o processo foi surreal e tomamos muito cuidado, desde a arte, o figurino, maquiagem e cada detalhe. Então torço para que fãs gostem ainda mais.

Como foi o processo de construção da personagem Juliana? E o que podemos esperar com essa notícia da gravidez?

Eu trago a Juliana comigo há mais de um ano e é muito interessante poder repetir e fazer um personagem depois de tanto tempo. E o melhor ainda é pode escrever sobre esse personagem. A construção da Juliana foi muito mais rigorosa dessa vez. Ela é uma personagem que é forte, assim como a Camila Cabello, uma pessoa que amadureceu muito rápido. Eu sempre que posso tento colocar o máximo de referências e personalidades da Camila, que é uma grande inspiração pra mim, e ao mesmo tempo ela tem essa fragilidade, a depressão por exemplo, assim como a maioria das mulheres no Brasil tem tendência depressiva por uma questão hormonal. Perder um filho mexe demais com a cabeça de uma mulher que sonha em ser mãe, que é o caso da Juliana. Mas terão que assistir para acompanhar essa história. Eu nunca engravidei mas tenho muitos aspectos parecidos com a Juliana nessa segunda temporada.

Ainda sobre a série, a história girava em torno de uma fanfic sobre um romance entre duas integrantes do “Fifth Harmony”. Foi difícil ter que representar um tema que é considerado tão polêmico hoje em dia?

Eu não acho que seja um assunto polêmico, acho que é um tipo de assunto que infelizmente a gente vai ficar sem resposta. Acredito que irão passar anos e vamos viver nessa expectativa e procurando evidências. Eu acabei me tornando muito fã de Camren, confesso que sou muito fã da Camila, principalmente pela personalidade dela, o profissionalismo, a forma como ela lida com tudo e sem querer acabei shippando muito a Lauren com a Camila. E eu acredito como ninguém e eu sei que é real (risos).

O que podemos esperar da Natalie ainda em 2018? Existem planos para além da web série?

Além da Websérie temos muitos planos haha. Estamos trabalhando agora em cima de um conto do Machado de Assis, que se chama “A carteira”, porém mudamos o nome para “Achado não é roubado”. É um conto muito interessante e estamos tentando trabalhar em uma temática de época, que é algo que eu ainda não fiz, então estou bastante empolgada para fazer. Também venho com a 2º temporada de Poesias para Gael, a Eline cresceu muito nessa temporada, li esses dias o roteiro. Estamos conversando também sobre uma peça que será transformada em websérie e alguns outros projetos de comédia com uns amigos e um autor muito conhecido no mercado e ótimo com comédia. Além de alguns outros projetos futuros para esse 2018 ainda.

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