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Luca Moreira conversa com psiquiatra sobre comportamento da sociedade com coronavírus

A epidemia de coronavírus, decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) agora no início de 2020, não é a primeira e nem será a última pela qual o mundo vai passar. Desde a Peste Negra, na Idade Média, até a Gripe H1N1, passando pela convivência diária e constante com a dengue, a população mundial tem sofrido com essas doenças que vêm e vão. Mas, de que forma as pessoas reagem aos surtos, epidemias e pandemias? De que modo isso tudo afeta o comportamento dos indivíduos?

Para responder essas perguntas, o Dr. Júlio Dutra, psiquiatra e presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), concedeu uma entrevista a equipe da Moreira Comunicação explicando um pouco sobre como a epidemia tem afetado o comportamento das pessoas e ressaltando também o papel dos meios de comunicação sob a situação atual.

Estando em plena epidemia do coronavirus, você acha que a população age de forma correta em entrar em modo de caos?

Todo “modo de caos” repercute negativamente. O psicológico é devastador, a preocupação, sim, é válida e serve como prevenção, mas, deve-se ponderar entre a realidade e o excesso de preocupação.

Durante o discernimento da mídia em relação a epidemia, muitas fake News são geradas. Quais os cuidados que devemos ter ao seguir alguma recomendação dessas espalhadas em grupos de amigos ou mesmo lidas na mídia?

As “fake news” estão sendo disseminadas a todo instante sobre os mais vastos assuntos. Em relação à epidemia do coronavírus, devemos estar atentos e buscar reais informações nos sites do Ministério da Saúde ou das Secretarias Estaduais de Saúde, autoridades competentes no assunto.

O mundo já passou por diversas situações parecidas com essa, como a Peste Negra na Idade Média e mais recentemente a H1N1. O coronavirus trouxe alguma novidade em relação as outras crises?

Todas as informações das epidemias chegam como um holocausto. O que podemos observar neste novo episódio é a rapidez da informação e, principalmente, as atitudes preventivas e a busca por antídotos para controle epidêmico. A tecnologia, neste caso, é uma grande aliada.

Como o senhor mesmo disse, as epidemias mexem com imaginário das pessoas, afetando assim seus comportamentos. É saudável essas mudanças de atitudes ou o exagero no pensamento das pessoas oferece riscos?

Exatamente. Nesta questão, existe um grande viés de que muitos passem a desenvolver atitudes cotidianas positivas e preventivas, criando práticas que levam para a vida toda, o que é saudável. Por outro lado, outros tantos padecem por excesso de preocupação, fazendo, muitas vezes, com que suas vidas circulem em torno do pensamento, às vezes exagerado, de ser uma possível vítima da doença.

Assim como muitos fenômenos que acontecem no mundo, o brasileiro costuma fazer muitas piadas e memes relacionados aos acontecimentos. Como o senhor enxerga essa atitude?

O que nos destaca de outras nações é a irreverência e a criatividade que o brasileiro tem de tentar “comediar” sobre os assuntos atuais. Se, de forma cômica, a mensagem positiva chegar, já estará auxiliando no combate ao vírus.

Recentemente alguns supostos casos foram confirmados no Brasil. Como a população deve reagir com a aproximação da doença? Porque o desespero atinge as pessoas de uma forma tão violenta?

Imagine que até o momento apenas dois casos foram confirmados, 433 estão suspeitos e 162 foram descartados (até a noite de segunda-feira, 2 de março). Infelizmente já estamos com o vírus em solo brasileiro, mas, daí a dizer que devemos paralisar a vida em detrimento de tal vírus é um tanto quanto precoce. É preciso seguir com a vida normalmente, adotando os cuidados simples de prevenção, no cotidiano. Muitas pessoas têm a sensação de que estão próximas do vírus por conta das notícias que recebem, algumas delas falsas, pelas redes sociais. Talvez aí esteja o exagero de alguns. O brasileiro, em sua grande maioria, é ansioso. Somos o país mais ansioso do mundo. Se associarmos este sintoma às informações expostas na mídia e nas redes sociais, com certeza teremos um fator de vulnerabilidade emocional elevado desenvolvendo estresse, inquietação e angústias.

O senhor é presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria. Quais os projetos e estudos que estão sendo tomados atualmente por vocês em relação ao caso?

Somos uma Associação Psiquiátrica com 53 anos, portanto, já chegamos em um nível de maturidade compatível com nossa idade. Observar o movimento emocional da sociedade faz parte do nosso trabalho diário. Prudência e atenção são necessários nesta fase, mas, estamos preparados para atuar em  uma eventual necessidade.

Você acredita que os meios de comunicação de massa estejam ajudando a população na reação com a epidemia? 

Pergunta difícil… toda a informação é absorvida e analisada de várias formas pelos mais vastos perfis de personalidade. A mesma informação que você recebe e processa positivamente pode ser diferentemente interpretada por outra pessoa. O entendimento é levar a informação sem ficção.

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