Luca Moreira

Luca Moreira conversa com Day Mesquita sobre filme de Edir Macedo

Natural da cidade de Telêmaco Borba, a atriz e bailarina paranaense Day Mesquita, veio para São Paulo ainda muito nova. Crescendo numa família do ramo de exatas, Day desafiou os pais e decidiu seguir seu sonho de infância.

Quando tinha 13 anos, começou a trabalhar pela primeira vez como professora de ballet infantil. Ao terminar o colegial, se matriculou no curso de turismo e eventos, onde desistiu antes mesmo de iniciar. Mesmo com todas as adversidades, Day levantou a cabeça e correu atrás do que realmente queria.

Hoje aos 32 anos, a atriz já contabiliza mais de 10 produções na TV, na qual podemos destacar “Cheias de Charme”, “Os Dez Mandamentos” e seu mais recente trabalho televisivo “O Negócio”, produzida pela Mixer e pela HBO Brasil. Atualmente ela está dando vida à personagem Ester Bezerra no longa “Nada a Perder” que conta a história do bispo Edir Macedo.

Nessa nova entrevista, a atriz conta um pouco sobre como foi sua preparação para esse novo trabalho e nos apresenta um pouco mais sobre sua história.

Quando foi que a profissão de atriz surgiu na sua vida?

Eu fazia aulas de ballet desde os 7 anos de idade, o que de certa forma me apresentou às artes e me levou aos palcos desde criança. Mas as artes cênicas, a vontade de fazer teatro, televisão, cinema, surgiu sem nenhum motivo específico. Era algo que eu falava para meus pais desde nova, mas eles achavam que poderia ser um sonho de criança.

Natural de Telêmaco Borba, como foi sua vinda do Paraná para São Paulo?

Minha base familiar é toda do Paraná. Quando meus pais foram para São Paulo, eu era muito nova, tinha uns 3 anos, então minha criação foi toda lá, cresci na capital paulista.

Filha de engenheiros e a irmã no ramo de exatas, como  foi a aceitação da família para que você seguisse pelo caminho artístico?

Depois que decidi estudar para ser atriz, não tive muito incentivo da parte deles no início, acho que por medo e zelo da parte dos meus pais. Eles sabiam que não era uma profissão fácil, tinham receio que eu me decepcionasse por não conseguir viver profissionalmente como atriz. Aos poucos, eles foram entendendo que era o que eu realmente queria e não iria desistir disso. Depois que os trabalhos começaram a surgir, eles foram acreditando comigo e me apoiando cada vez mais. Meu pai faleceu no início da minha carreira e não conseguiu acompanhar muito, mas ele, minha mãe e minha irmã sempre foram meus maiores incentivadores, antes de qualquer coisa queriam me ver feliz, independente do caminho que eu escolhesse.

De onde veio o amor pelo ballet? E como foi ensinar a dança como professora?

O ballet surgiu meio por acaso. Minha mãe fazia aulas de pintura em tela e me colocou, junto com a minha irmã, para fazer aulas também. Na mesma rua, em frente a escola de artes, havia uma escola de dança. Um dia minha mãe perguntou se gostaríamos de trocar as aulas de pintura para fazermos aulas de ballet. A partir daí começamos e não paramos mais.

Comecei a dar aulas de ballet quando eu tinha 13 anos de idade. Sempre fomos de família simples, então meus pais nunca puderam nos dar muito. Eu queria ter meu próprio dinheiro, para depender deles o mínimo possível e ajudá-los. Comecei dando aulas em escolas infantis e aos 15 anos já dava aulas em quase 10 escolas. Foi com meu salário de professora que eu pagava meus cursos de teatro. Quando eu estava com 20 anos mais ou menos, meu trabalho como atriz começou a ocupar e exigir mais tempo e eu não estava conseguindo mais conciliar as duas coisas, então, aos poucos, fui deixando de dar aulas para me dedicar apenas a minha carreira como atriz.

 

 

O que a fez escolher o turismo como curso na faculdade?

Na verdade, o curso que eu havia escolhido era de “lazer e indústria do entretenimento”, e tinha a ver com organização e produção de eventos. A arte estava muito enraizada em mim, então queria algo que pudesse me fazer estar sempre em contato com ela, por isso pensei nesse curso, para que eu pudesse trabalhar com eventos artísticos e culturais.

Qual foi sua primeira experiência profissional como atriz?

Comecei minha carreira fazendo comerciais de televisão. O primeiro comercial que fiz precisava de atrizes que também fossem bailarinas, então, o ballet e as artes cênicas sempre estiveram muito ligados na minha vida, tanto que minha primeira grande experiência como atriz foi na novela Dance Dance Dance, na Bandeirantes, onde interpretei a Amanda, antagonista da trama, uma bailarina clássica que disputava o amor de Rafael (Ricardo Martins) e Sofia (Juliana Baroni).

Como foi a decisão de querer trancar a faculdade e se dedicar totalmente a arte? Foi difícil no começo?

Eu nem cheguei a começar o curso na faculdade. Na semana seguinte em que havia feito a matrícula decidi desistir, não estava feliz com minha escolha inicial.

Fui conversar com meus pais, dizendo que antes de qualquer coisa, gostaria de tentar minha carreira como atriz. Não foi uma decisão fácil, foi uma conversa difícil para eles e para mim, estava confusa, mas algo em mim me impulsionava para seguir esse outro caminho e nada que eles falassem me faria mudar de ideia.

Meus pais não tinham condições de pagar uma faculdade para mim, era eu que estava arcando tudo, com meu salário como professora de ballet, então isso me deixava mais segura na minha escolha. Era um investimento que eu ia fazer, e se não desse certo, eu não iria prejudicá-los.

 

 

Como surgiu a oportunidade de participar de sua primeira novela “Dance Dance” na Band? Estreando na Globo em 2012 na novela “Cheias de Charme”, como foi a sua entrada na emissora?

Já havia feito alguns testes para novelas, mas não havia passado em nenhum. Minha mãe viu através de redes sociais que estavam fazendo testes para a novela Dance Dance Dance, onde precisavam de atrizes bailarinas. Estava em uma agência que mandou meu material e conseguiu marcar um teste para mim. Semanas depois me ligaram dizendo que eu havia sido aprovada para a personagem.

Em 2012, resolvi me mudar para o Rio de Janeiro. Eu havia ido para o Rio passar uma semana na cidade, para a estreia do programa “Viagem sem Fim”, que eu havia participado na Multishow. Nessa semana encontrei com alguns amigos atores que me incentivaram a ficar uma temporada maior para tentar fazer alguns trabalhos, então decidi ficar um tempo maior. Na época, a novela Cheias de Charme já estava no ar, e entraria na trama uma personagem que faria triângulo amoroso com os personagens Cida (Isabelle Drumond) e Elano (Humberto Carrão). Na semana seguinte em que eu estava no Rio, fui assistir uma peça de teatro e lá encontrei o André Reis, produtor de elenco da globo, que falou de mim para Bruna Bueno, produtora de elenco da novela que me indicou para essa personagem. Fui aprovada pela direção e logo depois já comecei a gravar a novela.

Como foi trabalhar com Alexandre Avancini  na Record?

Eu sempre admirei o trabalho do Avancini, mas não o conhecia. Fiz o teste para a novela Os Dez Mandamentos e mesmo sem nunca antes ter feito alguma novela com ele, confiou no meu trabalho e me deu uma personagem que foi uma das mais importantes na minha carreira, a vilã Yunet. Meu segundo trabalho com ele foi a novela A Terra Prometida e logo depois minha estreia no cinema, protagonizando o longa Nada a perder.

Então, desde a primeira novela juntos, ele sempre depositou uma grande confiança no meu trabalho, e por isso sempre terei um carinho e uma gratidão enorme por ele. Mas além disso, trabalhar com ele é uma experiência muito enriquecedora por ser um aprendizado constante, mas também muito agradável, o set de filmagem com ele é sempre muito tranquilo. O Avancini é um diretor que joga junto com o ator, ele sabe exatamente o que ele quer de uma cena, mas está sempre aberto a ouvir e aceitar o nosso ponto de vista, existe uma troca, e isso nos deixa muito a vontade em cena. Ele é pontual na direção, nos faz ir sempre além, insiste, instiga até alcançar um lugar mais intenso e verdadeiro que cada cena exige. Tem um cuidado com o ator, que nos dá confiança de estar em qualquer projeto que ele esteja dirigindo.

O que o público pode esperar dessa reconstrução da vida de Edir Macedo e de sua participação nesse novo filme?

O filme conta a história de um homem que persistiu em tudo o que acreditava, apesar de todas as dificuldades pela qual passou, e a minha personagem é uma grande companheira desse homem, que sempre esteve ao seu lado, o ajudando e o incentivando.

Acho que o público vai poder ver uma bonita história de amor e superação desse casal diante de todas essas adversidades na vida deles.

Como foi  gravar o filme na África do Sul e em Israel?

Eu amo viajar, conhecer culturas diferentes, e quando consigo fazer isso a trabalho é incrível. Israel foi um lugar que nunca havia pensado em conhecer, e me surpreendi. Tel aviv é uma cidade linda, apaixonante. Jerusalém foi uma experiência única, passar pelos locais das histórias que você escuta desde criança, é mágico. Na África do Sul, no Soweto, em Joanesburgo, tivemos um dia de filmagem com 30.000 figurantes de lá. Sentir a energia de todas essas pessoas foi uma sensação indescritível. Ver a alegria e amor deles ali foi emocionante, revigorante.  A cada trabalho eu sinto que me transformo um pouquinho profissionalmente e pessoalmente. E esse trabalho, finalizado com essa viagem, com certeza foi transformador para mim.

 

 

Como foi o processo de construção da personagem Ester?

Nós fizemos um mergulho nessa história e nesses personagens desde as primeiras semanas de preparação.

Eu e Petrônio ficamos quase 2 meses na preparação de elenco com o preparador Luís Mario Vicente, orientados pelo Avancini.

Foi um processo de laboratório, pesquisa, entendimento da personagem, ensaios…

Mas a parte de criação e descoberta mesmo foi na preparação, dia a dia, criando a relação e verdade entre os personagens.

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